Nova fase da operação afasta vereador e servidor por fraudes em licitações
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, nesta sexta-feira (26.12), ordens judiciais de afastamento cautelar contra um vereador e um servidor público investigados por envolvimento em um esquema milionário de fraudes em licitações municipais. A ação faz parte da nova fase da Operação Cenário Montado, conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, e visa aprofundar a apuração que já resultou em duas operações anteriores neste ano.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças, após evidências apontarem que os investigados — o vereador, que também é ex-secretário do município de Pontal do Araguaia, e um servidor do setor de licitações — tiveram papel decisivo na execução de contratos fraudulentos. O esquema envolvia manipulação de orçamentos, superfaturamento e simulação de concorrência, práticas que ocasionaram prejuízos expressivos aos cofres públicos.
Conforme a Polícia Civil, a associação criminosa operava por meio de empresas de fachada que apresentavam propostas combinadas, simulando competitividade em processos licitatórios. Mesmo após o início das investigações e das primeiras operações, o grupo teria continuado atuando mediante a criação de novas pessoas jurídicas registradas em nome de familiares e terceiros, com o objetivo de contornar decisões judiciais de bloqueio e suspensão de atividades.
Com base nas provas reunidas, a Justiça determinou o afastamento das funções públicas, além da proibição de acesso a prédios da administração municipal, sistemas internos de gestão e processos administrativos. Também ficou vedado o contato direto entre os investigados e quaisquer pessoas ligadas aos fatos apurados.
A operação é coordenada pelo delegado Adriano Marcos Alencar, com apoio dos delegados Pablo Borges Rigo e Raphael Diniz, e supervisão do delegado regional de Barra do Garças, Wilyney Santana Borges. Segundo a equipe, o avanço da apuração busca garantir a interrupção completa do núcleo financeiro do grupo e ampliar a responsabilização penal de todos os envolvidos.
O nome “Cenário Montado” faz referência à estrutura montada para dar aparência de legalidade aos certames públicos, simulando uma concorrência legítima enquanto as empresas participantes já possuíam um acordo prévio para vencer os contratos.